A Inteligência das Emoções

A Inteligência das Emoções

“João é bem equilibrado emocionalmente!”

“Tenho raiva até da minha raiva!”

“José nunca fala o que sente!”

“Maria precisa ter mais Inteligência Emocional!”

Você já ouviu ou falou frases como essas? Sabia que a Inteligência Emocional pode ajudá-lo a ter mais qualidade de vida, a se sentir melhor no trabalho, na família, nos relacionamentos, na escola e consigo mesmo?

Quando seu jeito de ver o adoece

Quando você interpreta algo como emergência máxima, seu corpo usa a energia do sistema imunológico para fazer a defesa necessária. É o Alerta vermelho, o mutirão para manter a vida e a saúde.  Daniel Goleman nomeou esse processo como “sequestro da amigdala”, pois ela é no cérebro a responsável por alertar sobre as ameaças.

É como gastar suas economias em um momento dificuldade, algo sensato e importante. Mas se você considerar quase tudo como ameaçador, preocupante, extremamente perigoso, consumirá muito mais energia, mantendo baixa sua imunidade e assim facilitando a entrada de transtornos, doenças mentais e físicas.

O Analfabetismo ou a Inteligência Emocional

O Analfabetismo Emocional é a dificuldade de expressar as emoções de um jeito saudável, no contexto em que elas se dão, reprimindo ou reagindo de modo inadequado. Acontece se você se resigna às emoções, renunciando ao diferencial do humano frente aos outros seres vivos: o gerenciamento que o Córtex Pré-frontal lhe permite fazer.

Ao contrário, a Inteligência Emocional é:

  • Aceitar que você não controla chegada das suas emoções, pois elas são fisiológicas, mas, sim, pode controlar sua forma de reagir a elas
  • colocar um foco de luz, trazendo-as à consciência, discernindo-as, vivendo a experiência que oferecem sem se deixar dominar por elas

Domínios e competências da Inteligência Emocional

Vários modelos de IE – Inteligência Emocional – vêm sendo desenvolvidos nas últimas décadas. Daniel Goleman, maior expoente na divulgação do conceito, indica quatro domínios e doze competências para entendê-la. Este artigo propõe uma reflexão geral sobre os domínios, também chamados de eixos ou pilares. Pode ser que você já tenha desenvolvido tais capacidades ao longo da vida. Caso não tenha, fique tranquilo: são habilidades e, se quiser, poderá aprender:

Autoconhecimento

            A autoconsciência ou o autoconhecimento emocional é como você percebe e identifica as suas emoções. Quando está com raiva, com medo ou triste, tem distinguido qual é a emoção envolvida, qual intensidade, duração e a causa dela?

O autoconhecimento implica ainda em tomar ciência das suas fraquezas e desenvolver habilidades para supri-las. Mais que isso, envolve o exercício de redescobrir suas forças e se treinar para usá-las de fato nos desafios da sua vida, para se recuperar mais rapidamente de fracassos ou quebras de expectativa e retomar a ação.

Autogestão

A metáfora do barco nas ondas é das mais comuns sobre regulação emocional. Você pode estar num mar tranquilo de bem-estar, em marolas agradáveis ou em momentos de emoções revoltas. Mas convém lembrar que você é o barco e não as ondas. Elas passam e você fica. Está sujeito a elas, sim, pois o sacodem. Mas tem o poder de escolher como quer lidar com elas. Pode se deixar levar, içar velas, remar, desligar ou acelerar o motor, conforme sejam as habilidades que você treinar para experimentá-las.

Também conhecida como autorregulação ou controle emocional, a autogestão é o que você faz com o seu autoconhecimento: como gerencia suas emoções.

“A forma como as pessoas se sentem emocionalmente e se comportam estão associadas a como elas interpretam e pensam a respeito da situação.” (Aaron Beck)

A Terapia Cognitivo-comportamental (TCC) propõe a Reavaliação Cognitiva para regular emoções:

  • identificá-las, medir sua intensidade, acolhê-las e aceitá-las
  • tornar consciente também o pensamento que as gerou e as mantém; questioná-lo, confrontá-lo com a realidade e flexibilizá-lo

O Mindfulness sugere um caminho diferente:

  • observar as emoções, os sentimentos e os pensamentos sem reagir e sem julgar; acolhê-los e aceitá-los
  • praticar exercícios com foco nas sensações dos órgãos do sentido, para ativar a autoconsciência e a autorregulação

            É bom ainda ter em mente que as emoções são respostas fisiológicas que geralmente deixam a sua respiração errada e acelerada, além de contrair a musculatura. A Respiração Diafragmática, o Relaxamento Muscular Progressivo de Jacobson, exercícios físicos e alongamentos poderão ajudá-lo a reduzir eventual mal-estar que elas possam provocar.

            Além do controle emocional, a autogestão envolve também a automotivação:

  • orientação de conquista ou realização (esforçar-se para atingir padrão de excelência),
  • panorama positivo (gerar inovação, aproveitar chances, facilitar resultados) e
  • adaptabilidade (flexibilizar ideias para gerar mudanças e produzir em novas situações).

Você é considerado inteligente emocionalmente também quando transforma a energia das emoções em fator de motivacional para não sucumbir facilmente frente a cenários incertos (mundo BANI (link)). Se o movimento ansioso o leva a ver ameaças em tudo, a automotivação o ajuda a ir além e ainda colecionar oportunidades. Ela o induz a agir com iniciativa própria e proatividade, ficando menos propenso a fatores externos, assumindo a responsabilidade, o controle e o protagonismo por sua vida.

Consciência social

Consegue perceber as emoções nas expressões, no comportamento e na fala de quem convive com você (pessoas e grupos)?

A empatia é a capacidade de se conectar de fato com as demais pessoas, aceitando-as sem julgar. Ela ajuda no seu equilíbrio social ao nutrir valores como altruísmo, compaixão e cooperação.

Você poderá treiná-la em alguns passos:

a) praticar o autoconhecimento e a autogestão

b) ouvir com atenção, sem julgar ou interpretar

c) parar, focar, evitar distrações e demonstrar interesse, sem pressa

d) respeitar o posicionamento do outro, mesmo opiniões contrárias

f) no momento da outra pessoa, não interromper falando de si

g) sorrir, sempre sorrir

            A consciência social, então, é como você percebe e identifica as emoções do outro (empatia) e também do grupo (consciência organizacional) em quem se relaciona.

Gestão de relacionamento

“Será que o meu chefe não poderia controlar esses bichinhos divertidos dentro dele?”, ouvi certa vez de uma paciente, em alusão ao filme “Divertidamente” e ao suposto descontrole emocional do seu chefe, que influenciava negativamente a produção e o bem-estar de todos.

A IE evita que você se comunique com agressividade, passividade ou passivo-agressividade. Se estiver consciente das próprias emoções e demonstrar empatia no trato com as pessoas, você terá mais facilidade com a  Comunicação Assertiva (link) e também com a Comunicação Não-Violenta (link), formas muito eficazes de solucionar conflitos e de manter relações familiares e profissionais que aumentem a qualidade de vida de todos.

Também chamada de habilidades sociais, a gestão do relacionamento é como você aplica sua Inteligência Emocional neles. Compreende competências como

  • influência (obter apoio dos outros),       
  • coach e mentoria (desenvolver as pessoas),
  • administração de conflitos (atuar em situações estressantes),
  • trabalho em equipe (participar com todos em prol de objetivos comuns) e
  • liderança inspiradora (motivar para propósito e aproveitamento das forças de cada membro da equipe).

Inteligência Emocional ao alcance de todos

A Inteligência Emocional segue a lógica das emoções, claro: um tanto de como você é, outro de como está, isso tudo somado ao modo como se relaciona com as pessoas e com as situações. Porém, vírgula: agregando as habilidades treinadas nos pilares de autoconhecimento, autogestão, consciência social e gestão de relacionamentos.

Ao trazer para a consciência e agir sobre elas, você aproveitará muito mais a experiência das emoções, irá utilizá-las a favor de si próprio, como fonte permanente de energia. Se o momento for

  • de tristeza, vivenciará cada reflexão;
  • de raiva, agirá para o reestabelecimento da justiça;
  • de nojo, estará atento contra o perigo;
  • de alegria, gozará sua satisfação;
  • de medo, aproveitará sua proteção.

Por isso, renovo o convite: que tal treinar a Inteligência Emocional e viver mais intensamente?

Artigo divulgado também no Clube Gazeta do Povo.
Essa reflexão não substitui a Psicoterapia.

Psicólogo Pascoal Zani

CRP 08/04471

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