Turma da Mônica: “Lições” das amizades na regulação emocional

Turma da Mônica: “Lições” das amizades na regulação emocional

Eternos amigos, Mônica e sua divertida turma trazem em filme várias “Lições” sobre superação de dificuldades, crescimento pessoal e amizade.

Afinal, o que determina uma boa amizade? Seria poder estar sempre com seus amigos? Ou sentir apoio e acolhimento, mesmo quando separados pela vida?

Sabe quando você não vê um amigo há décadas e, num belo dia, vocês se reencontram? Em meio minuto de abraço e de conversa afloram tantas emoções que parece que vocês nunca se separaram, não é verdade? Já foi agraciado com essa sensação?

O equilíbrio emocional não depende apenas de fatores internos, mas também, em muito, da qualidade dos relacionamentos que você vai formando ao longo da vida.

            Então, que tal refletir um pouco sobre a importância das amizades para a sua saúde mental?  

Os relacionamentos e as necessidades emocionais

O psicólogo norte-americano Jeffrey Young, criador da Terapia do Esquema, constatou cinco necessidades emocionais dos seres humanos:

• Vínculos seguros com outros indivíduos; inclui segurança, estabilidade, cuidado, aceitação, afeto e proteção;

• Autonomia, competência e senso de identidade;

• Liberdade de exprimir necessidades e de emoções;

• Espontaneidade e lazer;

• Limites realistas (impor e receber) e autocontrole;

A falta de satisfação delas gera e mantém ansiedade, depressão e vários outros desconfortos. Não é difícil perceber, então, o quão interdependente o ser humano é. Como pensar em boa vivência emocional onde os relacionamentos são precários?

Mesmo adulto, você continua precisando de vínculos seguros, autonomia, liberdade de expressão, lazer, limites realistas e autocontrole, não é mesmo? Tais fatores estão presentes em todos os relacionamentos e não são viáveis sem eles. As emoções são a forma do corpo e da mente expressarem algo ao mundo exterior. Assim, dar curso a elas pressupõe, sim, interações sociais satisfatórias.

Como os amigos se relacionam

Agressões e desrespeitos, graves ou sutis, de sua parte ou do outro, são atitudes que denunciam a amizade, ou pior: a falta dela. Se você invalida ou se sente invalidado, pare tudo: repense!

Os sentimentos bonitos de amizade ou de amor, se não estiverem acompanhados das ações de “respeitar” e de “se fazer respeitado”, de interesses e dedicações mútuas, perdem seu valor, fazem esvaziar o significado.

Usar comunicação passiva, passivo-agressiva ou agressiva infelizmente é mais comum e fatalmente leva conflitos de difícil solução.

Ao contrário, a comunicação assertiva e a “Não-violenta” (CNV) apresentam formas de se relacionar e de gerenciar conflitos que podem preservar as amizades e, em consequência, a regulação emocional de todos.

O senso de pertencimento acontece nesse ambiente em que as pessoas se tratam com respeito, empatia, apoio e acolhimento.

            Neste sentido, as relações familiares e as amizades podem ser uma fonte constante de estresse ou de bem-estar, a depender do seu modo de se relacionar, se ele inibe ou promove satisfação das suas necessidades emocionais.

O distanciamento dos amigos

            A exemplo do vivido por Mônica, a solidão, a saudade dos amigos e a quebra do “sentimento de pertencer” a um grupo podem inaugurar um período de tristeza e, se aprofundado, um estado depressivo, talvez.

            Isolamento é dos sintomas mais clássicos da depressão. Quando perceber que caminha neste sentido, acenda todos os alertas, é hora de deixar de lado a vitimização, retomar as rédeas da sua vida e escolher caminhos mais leves. Para concretizar essa intenção você pode usar justamente o poder da amizade, não acha?

            O filme mostra lições extraídas de momento de crise por afastamento do grupo, que exigiu de cada um o enfrentamento de suas principais dificuldades. Tal situação gerou crescimento pessoal e fortaleceu a amizade como grande auxiliar ao equilíbrio emocional de cada um. De fato, “a gente pode crescer sem deixar de ser criança.” Bom também!

Sem reciprocidade, interesse e dedicação, qual afinidade perdura?

Acaso se dedique e não veja retorno afetivo, reflita e fale. Seja para romper ou melhorar, fale. Dê o passo fundamental para reiniciar (ahh, o perdão!), se for o caso, mas com jeitos novos e mais saudáveis de se relacionar.

Ao contrário, se alguém é gentil e você não tem intenção de retribuir, exerça responsabilidade afetiva: posicione-se de modo claro a respeito.

Um bom amigo faz você crescer. E vice-versa

As boas relações são aquelas em que você sai de cada contato mais reconfortado em sua dor, espontâneo em sua expressão emocional e incentivado em melhorar algo em sua Vida. E, claro, tendo também provocado esses mesmos benefícios no seu amigo.

            É como aquele momento de oásis no meio do dia, em que você incentiva alguém a se matricular em novos estudos; recebe um desafio de começar uma academia, no melhor estilo “tamo junto”; passa um tempo “jogando conversa fora” com outro amigo; ajuda e é ajudado partilhando assuntos profissionais; e percebe, como bálsamo, que alguém está ouvindo a sua dor, com atenção e carinho. Amizades assim, não tem preço. No jargão popular, nutrem os chamados “amigos para sempre.”

            As melhores amizades, parcerias afetivas e familiares são aquelas que dão afago e bom curso às suas emoções e, ainda, provocam crescimento mútuo.

A inteligência emocional e as relações interpessoais

            Caso você decida praticar a Inteligência Emocional nos moldes das divulgações de seu maior expoente, Daniel Goleman, logo perceberá que dos quatro domínios que ele propõe, dois são voltados ao outro. Assim, das doze competências, sete se dão no meio externo. Significativo, não? Ali estarão suas maiores provações e talvez suas melhores vitórias.

            Fatores como a empatia, a boa percepção das emoções do grupo, a habilidade de influenciar as pessoas e de administrar conflitos, a liderança inspiradora, o “ensinar” e o trabalho em equipe são competências exercitadas nos relacionamentos que podem aumentar o seu quociente de IE – Inteligência Emocional

            Então, além de aproveitar o lado agradável e espontâneo das amizades, você pode também se dedicar para cultivá-las, conscientemente. E pode fazer isso regando com carinho, tal qual uma flor, dando maior atenção para as pessoas que lhe são mais caras e proporcionando mutuamente vivências mais saudáveis das emoções.

Artigo divulgado também no Blog TOP 10 News.
Essa reflexão não substitui a Psicoterapia.

Psicólogo Pascoal Zani

CRP 08/004471

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